Iniciamos mais um semestre de novas aprendizagens, já estamos VII semestre do curso de pedagogia à distancia da UFRGS, falta pouco para alcançar o tão esperado diploma, e sentir-se mais preparada para melhor atender e atuar na educação, estou muito ansiosa e com aquele frio na barriga, para enfrentar estes desafios que o semestre irá nos propor, desejo a todos, professores, tutores e colegas um excelente e produtivo semestre.
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão." (Paulo Freire)
Neste semestre temos como um
cenário de estudo o filme “Como estrelas da terra” [1] (produção
indiana de 2007, dirigida por Aamir Khan), o filme conta as situações vividas
do menino Ishaan Awasthi, de nove anos de idade, em seu processo de
escolarização. O menino sofre de dislexia (distúrbio de leitura e escrita),
este estuda em uma escola tradicional, onde já repetiu o ano e corre o risco de
repetir novamente, seus pais foram chamados na escola, eles acreditavam que o
menino apresenta problemas de indisciplina, seu pai o trata com rudez e falta
de sensibilidade, decidem manda-lo para uma escola interna. Nesta escola só
aumenta a tristeza do menino, pois está separado da família e os professores
não entendendo seu problema continuam tratando-o com desprezo, muitas vezes
humilhando-o frente aos demais colegas. Com a chegada de um professor
substituto de artes, este não é um professor tradicional como os demais, pois
não segue rigorosamente as normas da escola.
O professor Nikumbh é quem
descobre a dificuldade de Ishaan, através de um olhar mais específico, e o que
lhe chamou a atenção foi a questão da tristeza do menino, onde começa a
perceber que seu comportamento não é normal, então Nikumbh decidiu investigar o
que Ishan tinha e resolve ir conversar com seus pais e expor o problema, percebe
que a dificuldade de ler e escrever não é burrice, mas sim dislexia, este não
era um problema desconhecido pelo educador, pois já trabalhava com crianças
portadoras de outras deficiências.
A dislexia é uma
deficiência de aprendizagem na escrita, leitura soletração entre outros,
normalmente as pessoas associam a dislexia, há má alfabetização, desatenção,
situação socioeconômica, desmotivação ou baixa inteligência, por estar
associada a diversos fatores está deve ser diagnosticada por uma equipe
multidisciplinar, pois uma avaliação mais específica gera condições de um
acompanhamento efetivo e eficaz das dificuldades apresentadas pelo indivíduo,
sendo tratado de acordo com suas particularidades, levando assim a resultados
mais consistentes.
O filme nos mostra uma lição de vida, retrata a realidade na qual vivemos, os alunos com diversas deficiências são colocados em escolas normais e infelizmente muitos professores não estão preparados para lidar com as diferenças, o filme ainda nos faz refletir sobre a importância do papel do professor, ao ter um olhar mais atento para seus alunos, sabendo identificar suas dificuldades a fim de encontrar meios e soluções para desenvolver as potencialidades dos alunos no ambiente escolar.
O Brasil é um pais com uma sociedade multicultural, um território que abriga povos de origens culturais distintas entre si, onde cada cultura possui suas origens históricas e características e estas devem ser respeitadas. As relações entre estas se dá muitas vezes em forma de rejeição, conflitos ou de aceitação e tolerância em relação ao próximo.
Muitas mudanças acompanhamos no decorrer da história, principalmente em relação aos negros, que aos poucos conquistaram seu espaço na sociedade, ainda hoje li damos com o preconceito, principalmente em relação a cor da pele, muitos são classificados por menos favorecidos, como marginalizados e sem condições de viver com a elite.
"A igualdade que queremos construir assume o reconhecimento dos direitos básicos de todos. No entanto, esses todos são padronizados, não são os "mesmos". Têm que ter as suas diferenças reconhecidas como elementos presentes na construção da igualdade."
(CANDAU, 2002 pág. 127-128)
Para fazer a diferença podemos pensar em uma educação que reconheça o outro, onde as diferenças sejam integradas e não vistas como barreiras e sim como complemento de nossa existência, respeitando o outro e suas particularidades.
Referência:
CANDAU, Vera Maria Ferrão. Sociedade, cotidiano escolar e cultura (s): uma aproximação. Educ. Soc.[online].2002, vol. 23, nº 79, pág. 125-161.
Piaget foi auxiliar de pesquisa no Instituto Binet, local onde se trabalhava com escalas para avaliar o quociente intelectual (Q.I), sua tarefa era de aplicar questões para crianças e anotar os acertos e os erros, este material servia de base para a construção de tabelas de uma versão para crianças em teste. Piaget ficou curioso com as repostas dadas pelas crianças e percebeu que crianças de uma mesma faixa etária erravam as mesmas questões. Ao questionar as crianças, constatou que eles ao explicarem seus erros, as respostas eram semelhantes entre si, a partir das característica de seguir o pensamento da criança a partir de suas próprias respostas serviria de base para a construção do método clínico que caracterizou sua metodologia de pesquisa.
O método clínico é um procedimento que visa conhecer as diferentes características do pensamento infantil, investigar como as crianças pensam, agem, percebem, sentem, e constroem suas representações da realidade que a cerca, da forma como o sujeito assimila e acomoda as informações que constrói seu conhecimento, em diferentes idades, avalia o raciocínio e não o que está certo ou errado.
A diferença do método clínico de outros métodos é a intervenção sistemática do experimentador, diante da situação do sujeito e como resposta suas ações e explicações. A interação do experimentador deve ser flexível e sensível ao que o sujeito está fazendo ou respondendo.
Na interdisciplina de Desenvolvimento sob o enfoque da psicologia II, fomos convidadas a elaborar uma atividade de aplicação do método clínico, confesso que não é muito fácil de aplicar mas o resultado nos auxilia em avaliar a forma como o aluno constrói seus conhecimentos, nos auxiliando a preparar atividades para atender aos alunos, conforme sua estrutura de pensamento. Segue os teste aplicados com duas crianças em idades diferentes que apresentam as mesmas características em suas respostas.
Referência:
MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Epistemologia Genética. In:
SARMENTO, Dirléia Fanfa; RAPOPORT, Andrea e FOSSATTI,
Paulo (orgs). Psicologia e educação: perspectivas teóricas e
implicações educacionais. Canoas: Salles, 2008. p.17-26
Neste ano de 2017, tive o prazer de presenciar uma palestra do professor e Doutor em filosofia Gabriel Perissé, a partir de estudos da obra do autor espanhol Alfonso López Quintás, desenvolveu uma proposta chamada Pedagogia do Encontro.
Esta proposta tem haver com a didática e a relação professor/aluno, pensando em uma prática transformadora, de perceber a sala de aula como um espaço de grandes aprendizagens e de excelente qualidade educacional. A pedagogia do do encontro tem uma proposta filosófica e humanista, para que esse encontro aconteça é necessário que haja alguns investimentos em ações e atitudes, um entrelaçamento de iniciativas onde requer uma boa vontade, uma gentileza, uma cordialidade, uma capacidade de ouvir o outro atendendo suas expectativas através do diálogo e respeito mútuo. O encontro é uma experiência bidirecional, ensinar numa perspectiva de diálogo é transformar a sala de aula num palco onde somos personagens protagonizantes uns dos outros, uns ao lado dos outros na busca e na construção de valores e de conhecimentos.
"Na pedagogia do encontro, procuramos o valor genético do conhecimento. Ou , em outras palavras, experimentamos com os outros a alegria da descoberta pessoal. A sala de aula não é o lugar do tédio nem do excesso de trabalho. É o lugar da criatividade." (PERISSÉ, 2012, pg, 86).
Nesta citação do livro, me faz refletir sobre a prática em sala de aula, onde não devemos apenas chegar despejar conteúdos, como se fosse apenas o que importasse, mas tornar este ambiente num espaço de encontro dos alunos com o professor, dos alunos com os alunos e entre todos com o conhecimento, despertando nos alunos sua curiosidade e sua criatividade, pois o essencial é o desenvolvimento pessoal , onde inclui além do desenvolvimento intelectual o afetivo.
Referência:
PERISSÉ, Gabriel. Pedagogia do Encontro. São Paulo, 2012. Ed. Eureka.
Falando de diversidade logo penso em uma construção social, conjunto de valores e diferenças compartilhados pelos seres humanos na vida social, lembrando que as distinções não existem a si mesmas, mas são sempre um produto da cultura, pois ao longo da vida escolar nos deparamos com vários tipos de diferenças como: de gênero, de raça, religião, valores entre outras.
A tendencia de tomar a diferença como inquietação dos valores estabelecidos por um grupo social ou cultural tendem a gerar comportamentos que são prejudiciais no relacionamento entre os indivíduos como preconceito, intolerância e discriminação, por esse motivo acredito ser importante desde de cedo trabalhar nas escolas com a diversidade, levando os alunos a entender que nem todos somos iguais, que cada cultura, cada ser ser tem sua própria história e sua própria identidade.
[...]"É necessário a promoção do respeito mútuo, o respeito ao outro, o reconhecimento das diferenças, a possibilidade de falar sobre as diferenças sem medo receio ou preconceito."
(Orientações e ações, para a educação das relações étnicos-raciais, 2006, pg 23)
Através desta citação entendo que escola tem um papel importante na formação dos alunos, pensar na diversidade é um processo para a construção da identidade, significando que ela desperta para a criação de valores e atitudes que permitam um olhar e uma reflexão onde ocorra uma melhor convivência e respeito entre todos, obtendo como resposta um pleno desenvolvimento da humanidade.
E meio as pesquisas que realizei, encontrei uma animação dirigida por Teddy Newton, produzida pelos estúdios Disney Pixar, Dia e Noite, esta animação ilustra muito bem a perspectiva integradora da diversidade, onde os personagens o Dia e a Noite no primeiro momento se estranham e se tornam rivais por causa das divergências, mas aos poucos eles se encantam pelas características que não possuem.
Referências:
Ministério da Educação/ Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, "Orientações e Ações para Educação das Relações Étnico-Raciais", Brasília, SECAD, 2006.
DAY e NIGHT, Sound Design-By D.i.a da Veteran [Browar Country Florida], Disney Pixar, 2012. Disponível em:https://www.youtube.com/watch?v=s7ylQ2Yzajo, ultima visualização em: 02/12/2017.
Há quatro anos no Brasil, foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal resolução N°175 de 14/05/2013, a união homoafetiva, segundo dados do IBGE, cada vez mais no Brasil vem aumentando a união entre pessoas do mesmo sexo. Muitas vezes ouço dizer que a questão dos casamentos gays é algo novo, mas acredito que não, pois a relação homoafetiva esteve sempre presente em nossa sociedade ao longo da história, percebo que conforme o nível de aceitação social, estas relações tornavam-se públicas ou não. A homossexualidade sempre existiu, mas por muito tempo foi tratado como algo excluído, e os homossexuais vítimas de preconceito.
Como professor entendo como é importante trabalhar com as crianças a questão da diversidade, principalmente quando o assunto é sobre gênero, pois as famílias vem se constituindo de formas diferentes, não necessariamente por pais e mães, mas muitas como pai e pai ou mãe e mãe.
Na interdisciplina de Questões étnicos-raciais na Educação, do curso do PEAD da UFRGS, fomos convidadas a escolher alguma história de superação para produzir um curta.
Este trabalho foi produzido em grupo, uma de nossas colegas trabalha em uma escola de educação infantil no município de Esteio e lá conheceu um casal de mães, pois estas tem um filho adotado que frequenta a escola, então decidimos convidá-las para nos dar a entrevista, que para nossa alegria aceitaram. Foi um trabalho de grande valia e com aprendizagens significativas.
Segue o vídeo:
Referência:
ENTREVISTA SHEILA E ALICE, Nanci Bertoni, Porto Alegre 2017,Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2LmqlnrFCsk, ultima visualização em: 29/11/2017.